sábado, 19 de outubro de 2019

Uma Casa no Fundo de um Lago



James e Amelia são dois jovens apaixonados de dezessete anos que resolvem ter seu primeiro encontro ao ar livre. O que era para ser um dia romântico, adquire proporções misteriosas quando encontram, dentro de um dos lagos por onde passeiam, uma casa submersa mobiliada. 

Qual o propósito e quem poderia ter feito isso? Como pode uma casa submersa ter móveis, jardins, piscina, decoração e NADA flutuar? O local está de fato abandonado ou algo sobrenatural, talvez, se esgueire por seus corredores?  

Como mencionei na resenha de “Caixa de Pássaros”, a escrita de Josh Marleman me encantou logo de cara. É um autor que sabe construir tensão, descritivo o suficiente para que a nossa imaginação  preencha as lacunas propositais e que consegue te segurar na história logo nas primeiras linhas. Logo, foi com uma dose alta de empolgação que segui para esta nova obra e não poderia ter terminado a história mais decepcionada do que fiquei. 

O livro é relativamente curto, mas o que poderia ter sido uma vantagem para narrar algo coeso, minimalista e apavorante, acaba saindo um pouco pela culatra. O autor  tenta replicar aqui o que fez de seu romance de estreia um sucesso – final aberto ambíguo, perguntas sem resposta, clima angustiante -, mas acaba apenas parecendo, em minha opinião, que não soube aproveitar a própria excelente ideia que teve. Acredito que a história não foi tão bem desenvolvida quanto precisava, que promete algo e não entrega, o que pode ser frustrante para alguns leitores. Terminei sem saber se li um suspense, um romance adolescente sobre o primeiro amor, uma metáfora sobre autodescoberta... 

Ao tentar contar uma história que passeasse entre os gêneros literários, Josh Malerman acabou não dando uma identidade ao que produziu. Para mim isso foi um problema, porque até mesmo para quebrar as regras é preciso estabelecer seus parâmetros e fazer o leitor entendê-las primeiramente. Se “Caixa de Pássaros" foi um triunfo também por conta disso, penso eu, “Uma Casa no Fundo de um Lago" não obtém o mesmo efeito. 

Acabei acreditando se tratar de uma história sobrenatural e fui quase até o fim tendo essa certeza. É claro que esta opinião pode estar contaminada pela minha própria expectativa frustrada. Já li e ouvi diversos blogueiros e leitores que amaram a história, o que acabou me levando a crer que, talvez, eu não seja o público-alvo dessa vez, ou não tenha conseguido “submergir", na falta de uma palavra melhor, na história que o autor se propôs a contar. Acontece. 

O trabalho gráfico da editora Intrínseca está belíssimo, desde as artes nas primeiras páginas dos capítulos, até as páginas com aspecto envelhecido e o texto de contracapa instigante. É uma pena que o livro não tenha “funcionado “ para mim, mas não significa que será o mesmo para você, caro leitor. É por isso que recomendo a leitura e que tire as próprias conclusões! 

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