sexta-feira, 26 de junho de 2020

Teto para Dois




Dividir um apartamento é uma coisa bem comum no mundo, mas imagina ter que dividir uma cama com quem você nunca viu. Você conseguiria? Parece meio bizarro, né? Mas a vida é bizarra, rs! E, muitas vezes são nesses momentos da vida que coisa incríveis acontecem.

Sem mais delongas, sejam bem-vindos a vida de Tiffy e Leon em “Teto para dois”.

TiffanyTiffy – está passando por momentos difíceis, ela está literalmente sem teto, após terminar seu namoro com Justin – a quem eu apelidei carinhosamente de odiado – ela se vê em uma situação bem complicada em que morar com seu ex-namorado não é mais uma situação viável, principalmente quando o ex, segue com a vida e se envolve com outra pessoa. Com o orçamento pequeno e sem querer morar na casa de seus amigos, ela se vê em busca de um apartamento pra chamar de seu, e durante essa busca que ela acha um anúncio estranho, mas perfeito para seu cenário de vida: Um enfermeiro que não fica em casa durante a noite e que passa os fins de semana fora está sublocando seu apartamento e em consequência sua cama.

Leon é o enfermeiro de uma casa de repouso que está com sua vida de cabeça para baixo. Com seu irmão preso acusado por um crime que não cometeu, ele se vê com apenas uma missão: Pagar um bom advogado e tirar seu irmão da cadeia. A ideia seria simples, se ele tivesse dinheiro né? E é nessa busca por solução que ele decide sublocar seu apartamento e com isso dividir tudo, sua casa, seu armário, seu quarto e é claro, sua cama.

A regra é básica: cada um dorme em um lado da cama e eles não podem estar no apartamento no horário que o outro esteja. Isso seria muito fácil se a vida não fosse... A vida, né? E como era de se esperar, ela tinha que dar uma zoada com esses dois. Mas quem está reclamando?

Ele é preto e branco e ela é um arco-íris inteiro. Ele precisava de cores e ela precisava de um pouco de sobriedade.

Beth O’leary foi maravilhosa em criar essa estrutura de comunicação tão única. Com a leitura intercalada entre os personagens é possível acompanharmos o desenrolar dessa amizade através dos bilhetinhos coloridos espalhados pelo apartamento. Foi gostoso ler um livro em que o romance começou por uma camaradagem, por uma compreensão mutua mas sem o olho no olho, pela simplicidade como um todo.

Acho que esse é um daqueles livros que precisamos parar e refletir depois sabe? Ele trata de tantas coisas importantes que por inúmeras vezes não falamos como relacionamento abusivo. Não tratando apenas da agressão física como tabu, mas da agressão emocional, da manipulação e da dependência que só a vítima sente, e também como é difícil de se enxergar depois desse relacionamento conturbado uma  maneira de conseguir seguir em frente.

Outro tema que deve ser levado em conta aqui são as relações familiares. Das dificuldades que pais e filhos têm uns com os outros, do amor de um irmão para com o outro. Ele fala sobre o amor homo afetivo, e o medo de dois homens já idosos de viverem um pouco desse amor, por causa do preconceito.

Não posso deixar de ressaltar a importância dos personagens secundários desse livro. Sério meu povo! A autora merece abraços só pela construção de cada um deles, não temos só números, temos pessoas ativas na história em que cada um desenvolve um papel importante no enredo do livro.

A graça de “Teto para dois” não está no clichê, até porque não é bem isso que encontramos aqui, mas está na profundidade que ele traz junto ao romance. Ler sobre um romance perfeito é bom, mas ler sobre a humanidade, as problemáticas e aprendizados dentro dele é melhor ainda. Eu indico a leitura para todo mundo que precisa sair um pouco da zona de conforto e esquentar o coração um pouquinho nesse inverno.


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