sexta-feira, 3 de julho de 2020

Long Shot



Antes de começar a resenha desse livro já deixo avisado que ele não é indicado para menores de 18 anos, MESMO! Então, meu conselho é que respeitem a faixa etária do livro.

Se você está esperando um romance ideal e lindo, pare por aqui. Existe beleza na força, na coragem e no amor que serão apresentados aqui, mas para chegarmos aos momentos doces muita coisa será enfrentada.

August West é um homem com sonhos, metas e é claro medos. Ele está no início de sua carreira como jogador profissional de basquete, e tem a sua vida no esporte que seu pai tanto amava e que ele herdou a paixão e o dom. A vida de August é boa, é feliz, mas sente falta de sua grande referência – seu pai –  e de ter algo mais além do basquete. E esse algo mais chega na forma de uma jovem apaixonada pelo Lakers em um bar, o que ele não imaginava é que a vida é sacana pacas.

Iris é uma garota cheia de vida, sonhos e metas. A típica garota da biblioteca namora com um dos principais jogadores em ascensão do basquete, Caleb, para o mundo ela tem a vida perfeita, mas não é o caso. Ela não ganhou na loteria, mas ainda não sabe disso.  Iris conseguiu fugir do padrão de sua mãe e tia, duas mulheres que vivem da dependência do homem. Nossa garota sonhava em ir além, em ser algo a mais. Mas a vida vira do avesso às vezes, e no caso dela, ela vira um caos em um bar durante um jogo dos Lakers, quando uma conversa a faz ver o mundo de outra forma diferente e a enxergar defeitos antes não vistos...

Caleb é o típico estrela, filho de pais ricos, ele é um jovem jogador em ascensão que tem o mundo em suas mãos. O mundo não é o bastante para o nosso garoto, ele quer mais e para ele esse mais está ligado a ter Iris pra sempre e vencer August em tudo.

Ela tem sonhos.

Um tem sonhos com ela.

Um sonha em domar e mantê-la por perto.

Para os que ainda não sacaram esse livro vai tratar sobre abuso de forma real – brutal.  Como eu disse no começo, essa história não é suave. Ela é sobre a fibra e a coragem de uma mulher que se submeteu a inúmero tipos e formas de abuso para proteger os seus até que pudesse fugir daquela situação. É sobre uma mulher que viu luz em meio as trevas e conseguiu ressurgir como uma fênix desse inferno que vivia.

Kennedy Rayan consegue nos prender na história do começo ao fim, ainda que em alguns momentos seja difícil. Ela é honesta, crua e verídica. Ela trouxe a voga um tema que é muito falado, comentado, mas não abordado de uma forma tão literal. “Long Shot” não trata só de dor, ele trata de amor, de resiliência, de persistência e de empatia.

Ler esse livro me trouxe como mãe e mulher a refletir quantas milhares de mulheres estão sofrendo abusos e agressões nesse momento. E como o sistema é uma droga, não só aqui no Brasil mas no mundo, quem tem dinheiro e fama sai impune e isso é inadmissível!

O amor é uma grande benção no meio do caos, ele é doce e ajuda a sarar feridas, mas elas precisam de tempo. Um dos pontos que mais me chamou a atenção no livro, foi o fato de que mesmo que o romance tenha sido – click, te amo – a postura da Iris é diferente. Ela segura as pontas e toca o barco devagar para alcançar a felicidade no seu ritmo. E isso, produção é tudo de bom!

“Long Shot” é uma leitura necessária, mas não esperem apenas um romance, esperem verdade e integridade ao longo das páginas. E o meu desejo é que ele desperte em você o mesmo sentimento que despertou em mim: empatia.



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